Temporada "às cegas" nos Artistas Unidos

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"É uma temporada anunciada às cegas." Foi esta a expressão mais utilizada, na sexta-feira, pelo director dos Artistas Unidos (AU), Jorge Silva Melo, durante a apresentação da programação para o ano de 2005, no Teatro Taborda, em Lisboa.

"Em Julho de 2002, tínhamos a programação para 2003. Conseguíamos anunciar a temporada inteira até Março. Tínhamos os materiais, os contratos. Fazíamos ainda uma previsão de espectáculos que pensávamos realizar. Neste momento, estamos em Fevereiro e ainda não sabemos", conta o responsável pela companhia, que classifica a situação como "uma vergonha". Apesar de o montante do apoio sustentado ser conhecido (470 mil euros a atribuir pelo Instituto das Artes nos próximos quatro anos), os AU continuam "sem dinheiro e sem saber quando o vão ter". "Neste momento não estou subsidiado por ninguém. As produções não estão subsidiadas nem sabemos se serão", explicou Jorge Silva Melo.

Apesar das dificuldades, os Artistas Unidos têm já em mãos diversos projectos. A temporada abre com Inverno, peça de Jon Fosse, encenada por Jorge Silva Melo, a estrear no Teatro Taborda na próxima quinta-feira, dia 17. Segue-se As Regras da Arte de Bem Viver na Sociedade Moderna, de Jean-Luc Lagarce, encenada pela estreante Andreia Bento, que sobe à cena do Taborda no dia 24. Além das produ- ções próprias, a companhia vai manter o apoio à Tá Safo, organizando a digressão de Se o Mundo Não Fosse Assim. A Festa, de Spiro Scimone, numa produção da Tá Safo, Citemor e AU, irá regressar ao Taborda a partir de 31 de Março. Perdoar Helena, uma produção Lilástico e AU, de José Tolentino Mendonça, estreia a 24 de Março.

Na Primavera, vão ser recebidos três espectáculos italianos Il Cortile (O Saguão) de Spiro Scimone, entre 21 e 23 de Abril; Maggio 43, de David Enia, de 12 a 14 de Maio; e, Radio Clandestina, de Ascanio Celestini, em cena de 10 a 12 de Julho. Em co-produção com o Teatro Nacional D. Maria II, serão apresentados dois espectáculos Conferência de Imprensa e Outras Aldrabices, a partir de um sketch de Harold Pinter e de textos por outros dramaturgos, estreia-se dia 6 de Abril; e Gente de Lisboa, de Letizia Russo, sobe a palco a 22 de Setembro. Ambos no D. Maria II. Será ainda lançado um programa trienal para a "geração MTV, que não gosta de teatro", cujo primeiro espectáculo será A Fábrica do Nada, de Judith Herzberg, a estrear dia 7 de Novembro na Culturgest. O Teatro Taborda irá ainda receber exposições como a de Pedro Chorão.

Destaque ainda para o novo espaço A Capital, cujo caderno de encargos está concluído e deve ser entregue aos arquitectos na próxima semana. "Depois terão 45 dias para elaborar um projecto e as obras deverão ser adjudicadas em Setembro", informou Silva Melo. Os Artistas Unidos saíram de A Capital no ano 2000.

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